28 de jul. de 2011

Parte 7- Isquêmica

Isquemia parece com anemia, não? pois é, desde que tive um infarto do miocárdio em 2001, fiquei com uma isquemia que nunca antes me deu problema. Agora,começou a dar...senti umas coisas estranhas no peito e os exames disseram: a isquemia está fazendo com que o coração não contraia bem, isto gera cansaço fácil. Não é morbidez, mas um ser tão temperamental quanto eu só posso mesmo é ter o coração danificado...não é com ele que se sente as emoções, dizem os poetas? e o meu coitadinho é bem vivido...rs..mas, nada como rir da própria sorte, afinal nada podemos fazer em relação a vida e a morte. Então é goza-la enquanto podemos ter uma qualidade de vida para viajar, sair, estar com os amigos. Viver.
Mudando de assunto e voltando de certo modo a ser cronológica em relação as minhas memórias.O casamento que eu tentei durante 9 anos transformar em uma coisa prazeirosa, porque ninguém quer que sua vida afetiva vá para o buraco, e naquela altura as conversas entre marido x mulher não se chamava "discutir a relação" era só discutir mesmo. Nunca deram em nada, aliás na parte final destes 9 anos, meu ex tinha uma amante que me ligava constantemente e não falava nada...aquele joguinho que só as mulheres sabem fazer e que eu só vim a descobrir depois que separamos...aí não importava mais.Depois do vestibular e do ingresso na Universidade, o mundo virou um mar de rosas, afinal , ser jornalista foi a coisa que eu mais sonhei na vida. Modestamente, inteligência e talento nunca me faltaram e eu ainda no inicio do curso entrei no jornal impresso do Lopo de Castro, o Estado do Pará. Lembro bem que uma das primeiras matérias que fui fazer era muito importante e lá fui eu de helicóptero para Barcarena cobrir a inauguração (a memória falha) da Albrás / Alunorte...que orgulho e emoção, quem me ajudou a escrever a matéria foi o Maklouff, um repórter que hoje mora em SP. Minha intenção não é falar da profissão, senão escreveria outro blog, tantas são as estórias. O que pretendo é deixar o registro de mim em alguns textos para meus filhos e netos...

16 de jul. de 2011

PARTE 6- e a vida segue

Fazia muitos dias que eu não escrevia aqui.Hoje depois de voltar de uma feijoada com amigos onde ri muito e me diverti, posso encarar de novo a dor.Tenho sentido umas coisas estranhas no meu coração meio morto (pelo enfarto)mas, não sou de muito me impressionar com estas coisas, creio que quando morrermos vamos ser mais felizes e vamos re-encontrar pessoas amadas que se foram antes, nem por isto quero morrer imediatamente, mas na hora que for hora tudo bem. Vou poder pensar que vivi tudo, emoções boas e más. Mas, me atirei nelas de cabeça,e, recorro a poesia de novo:ando devagar porque já tive pressa. Durante 9 anos fiquei casada e dona de casa, insatisfeita com a situação, mas sem perspectivas. Tive 3 filhos do mesmo pai, adoráveis sadios e bonitos.Não os trocaria por nada e não troquei nunca, um dos motivos de minha separação foi exatamente pelo pai deles não ser um pai legal.Temperamento eu acho, afetuosidade nunca foi o forte "dele". Muito menos comigo que sempre tive um temperamento forte e opiniões próprias, brigávamos sempre ,discutíamos sempre. Claro que a responsabilidade foi minha também, na verdade (inconscientemente) casei para sair de casa.Não nasci para uma vida comum, como sobrevivente que fui, enchi-me de armas e queria ir à guerra, queria o mundo, queria tudo o que pudesse alcançar com meu próprio esforço ou não seria vitoriosa. Para me desarmar era necessário muita doçura, coisa que meu ex-marido não tinha para dar e sendo assim ,não se pode pedir. Fiz algumas tentativas de trabalhar fora e não tinha vontade de estudar. Mas a liberdade de alguém começa pelo sustento e a minha também. Voltei a estudar já com os 3 filhos paridos e por criar. E renasci com o ingresso na faculdade, acho que até hoje não senti sensação maior de alegria do que ver minha aprovação para a graduação no curso, que desde os 12 anos sonhava em fazer: Jornalismo.

4 de jul. de 2011

Sobre meu Pai e minha Mãe- 5

Sou uma sobrevivente em todos os sentidos, lutei para ficar viva enquanto minha irmã gemea se ia ao nascer e lutei para ficar lúcida enquanto a minha mãe se ia também, cinco anos depois. É , vocês não tem noção do que é uma criança pequena, sem mãe.Aliás, eu só tive esta noção recentemente ao acompanhar o crescimento de meu neto Cauã,os filhotes de animais são menos dependentes da atenção materna que nós, os humanos.Junto com minha mãe, foram-se os meus irmãos Ronaldo e Roberto e minha querida Maria Preta, que cuidava de mim junto com ela, ou seja, todo o meu universo infantil. Como meu pai era marítimo, meus irmãos ficaram sob a tutela de meu tio, irmão de minha mãe e a Maria foi junto.Eu e meu pai, fomos morar na casa de minha prima recém casada.Ela cuidava de mim, enquanto ele navegava pela Bacia Amazônica.Este período durou menos de um ano,os homens não ficam sozinhos...ainda mais jovens e com uma criança para cuidar. Assim, em pouco tempo meu pai casou-se de novo.A relação que existe entre enteados, madrastas ou padrastos, é muito conflituosa. Ciúmes, inveja, raiva e competição são sentimentos comuns e as pessoas precisam ser muito especiais para superarem isto. Comigo não foi diferente, eu despertei muito ciúme e disputa , e, embora sendo uma criança tão pequena, 6 anos e pouco, não despertei nenhum carinho. Por temperamento, minha madrasta nunca foi muito carinhosa nem com os filhos que teve com meu pai. Teria sido fácil me conquistar, eu suponho, afinal eu devia estar muito carente. Mas, infelizmente ela não quis este tipo de relação, optou por me ignorar.E eu fui crescendo meio que por minha conta: fritava ovos quando tinha fome, tomava banho sozinha,e dentro de casa era absolutamente solitária, meu quarto era meu mundo e eu passava a maior parte do dia lá dentro, isto é, quando não encerava a casa (com escovão)ou ia para a cozinha, pois meu pai achava que as mulheres deviam aprender estas 'artes'. Talvez tenha sido por isto, que sempre amei os livros, lia tudo que me caía as mãos...assim ,acredito, aprendi a pensar e a sonhar com a liberdade. As tolices infantis que cometia, eram contadas com cores fortes a meu pai, que sempre me punia com castigos. Até hoje odeio injustiças. Evidente que isto me marcou profundamente e alterou minha percepção do mundo. Rejeição ,foi sempre o meu buraco negro, a ferida que nunca sarou...Crianças entendem abandono como rejeição e para mim era como se minha mãe pudesse ter escolhido morrer...ou ficar comigo.

3 de jul. de 2011

parte 4- Domingo de manhã

Acredito que durante os últimos dez anos ou mais, não sei precisar, eu telefonei todos os domingos as 8,30hs da manhã para o meu pai, ou em Belém, ou na casa dele de praia em Marudá. Onde eu estivesse, eu não esquecia.Agora tem um ano e pouco que ele se foi. Meu pai, foi uma figura muito interessante, sem completar sequer o curso primário pois foi uma criança muito pobre, leu muito e aprendeu muito. Conseguia conversar sobre qualquer assunto em qualquer roda social com muita elegância. Era um taurino típico, calmo e sedutor. Acho sem falsa modéstia que herdei seu bom humor, além de parecer fisicamente muito mais com ele do que com minha mãe. Seu Dna, foi muito bom, ele morreu aos 84 quase sem rugas e com a musculatura rija.Moreno 'caboclo' que é o moreno indígena, cabelos negros e lisos, olhos escuros, devia ficar (nunca o vi) muito bonito com a farda branca da Marinha Mercante. Minha mãe não resistiu aos seus encantos e ele pelo visto, apesar de mulherengo sempre, não lhe resistiu à doçura e a beleza. Ela era viúva e tinha dois filhos pré-adolescentes do primeiro casamento, meus irmãos Ronaldo e Roberto (já morto) que amavam meu pai, que ao que tudo indica foi um ótimo padrasto.Ele, já era da Marinha Mercante mas continuava pobre, minha mãe, filha de um imigrante sírio era rica, nada os separou. Meu pai, casou-se com Separação Total de bens e ganhou a confiança de meu avô e dos cunhados, com quem sempre se deu bem.Viveram juntos por somente 7 anos e minha mãe morreu. Embora, tivesse tido 3 gestações de gemeos (eu também fui gemea)e uma só gravidez de uma criança, somente eu sobrevivi...isto certamente deve ter algum significado no Universo....

29 de jun. de 2011

Juventude- número 3

Ah, como ele era bonito! uma gracinha. Aliás naquela idade (eu tinha 13 anos quando começamos a namorar e ele 17)era tudo que eu queria: rapazes bonitos. Eu fazia que nem o Vinicius de Moraes:"os feios que me perdoem" não tinham vez.E como ele me amou, me amou tão docemente, que eu não quis. Namoramos 4 anos, entre idas e vindas, mais por minha causa, do que dele. Nos intervalos,namorei outros belos rapazes, todos altos, garbosos...meu pai dizia que eu era uma namoradeira, brigava comigo dizendo (expressão da época) que eu parecia uma vassoura, já tinha varrido toda a rua e adjacências...rs..e meu pai era bravo, quem quissesse me namorar tinha que pedir licença a ele. Claro que eu namorei muitos sem que ele soubesse, afinal papai era marítimo e ficava pouco em Belém.O Teco, apelido do F.José, fazia parte da turma da rua que se reunia a noite para conversar até altas horas na varanda da casa vizinha. O Teco me amava para casar, eu era uma espécie de princesa que ele mal ousava tocar, me tratava castamente, logo a mim que ansiava por fogo ardente. Caminho mal escolhido por ele, pois quando surgiu me ex-marido cheio de atrevimentos, nao tive dúvidas, deixei o Francisco José. Até hoje me pergunto como seria ter casado com o Teco. Alimento dentro de mim, um pouco de culpa por ter desprezado tanto amor, ele teria sido um ótimo pai para meus filhos e um marido...???como???não sei. Quem sabe em outra encarnação? o Teco, mudou-se de Belém e segundo ele, por não conseguir morar na mesma cidade que eu, só que agora, casada. Não pensem que escrevo isto com vaidade, muito pelo contrário, escrevo com uma imensa nostalgia e muitas saudades, ele morreu a alguns poucos anos atrás e antes disso, ou melhor dizendo, vinte anos após este rompimento,nos reencontramos aqui no Rio de Janeiro e vivemos alguns poucos meses de felicidade, numa tentiva de resgatar nosso amor da juventude...mas eu não tinha mais 13 anos e nem ele 17 e ele queria muito aquela menina que eu fui...mas a vida tinha girado como na música do Chico e nós não éramos mais os mesmos. Ele estava separado da mulher com quem teve 2 filhos que eram sua paixão e dominado pela culpa e pelo sofrimento de não estar mais com eles, era o inicio de sua agonia e depressão que resultou num câncer prematuro. O primeiro revival foi nos anos 80, mais tarde nos anos 90 tornamos a nos encontrar e mais uma vez tentamos...sem sucesso.Vejo agora que só tive fracassos amorosos, todos, todos fracassados...embora muito amada por alguns homens..fracassei com todos. Ah, como dói!

28 de jun. de 2011

Continuando...a historinha de mim-número 2

Minhas emoções afloram com a música.Para acompanhar meus pensamentos coloquei um vídeo do Chico logo abaixo e aí a Roda Viva me inspirou:"tem dia que a gente se sente como quem partiu ou morreu..."
Dizia o Benjamin, (meu querido terapeuta, uma hora falo dele)que eu tenho um lado meio cínico, e ele, claro, detectava na hora quando eu chegava assim ao seu consultório,e pedia que eu tirasse essa máscara. Uma das muitas que tenho. Não, não sou dissimulada, o que sinto aparece na minha face sem retoques...me lembro de uma vez que ele (B)fez um exercício(?)de dizer que máscara de emoção eu achava que me cabia mais, e eu, sem titubear, disse: a da dor. Acho que passei depois disto, muito tempo sem que ela me coubesse. Agora tenho sentido que ela voltou, porque não é só uma máscara, é todo um sentimento. É uma dor real e imensa que faz parte da dualidade humana que acredito, todos tem, uma hora sou alegre e outras triste. Fiz este blog, porque o pudor me impede de escrever um livro como fez a Maitê Proença por exemplo.Ela usou a terceira pessoa para contar sua história de vida, eu preciso falar tudo, mas, tenho medo de magoar pessoas queridas com meus relatos, então ,fica o dito por não dito(como diz o Chico na canção), só para algumas pessoas as quais peço que quando eu morrer, enviem para alguns escolhidos, como meus filhos por exemplo. Aí lembro do belo filme "As pontes de Madison" e peço a eles que leiam tudo com muita benevolência. Sim, porque me despirei e direi por exemplo que o pai deles foi um grande engano na minha vida. Uma fuga, um jovem corajoso que topou casar comigo e me livrar da minha casa. Teve seu mérito claro. Mas, não o meu amor, isto foi um engano que só a idade nos faz cometer. Sim, porque eu também não fui amada por ele, o que nos uniu foi o desejo. Os hormonios a flor da pele. Isso durou 9 anos...Antes dele teve o Francisco José...

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