4 de jul. de 2011
Sobre meu Pai e minha Mãe- 5
Sou uma sobrevivente em todos os sentidos, lutei para ficar viva enquanto minha irmã gemea se ia ao nascer e lutei para ficar lúcida enquanto a minha mãe se ia também, cinco anos depois. É , vocês não tem noção do que é uma criança pequena, sem mãe.Aliás, eu só tive esta noção recentemente ao acompanhar o crescimento de meu neto Cauã,os filhotes de animais são menos dependentes da atenção materna que nós, os humanos.Junto com minha mãe, foram-se os meus irmãos Ronaldo e Roberto e minha querida Maria Preta, que cuidava de mim junto com ela, ou seja, todo o meu universo infantil. Como meu pai era marítimo, meus irmãos ficaram sob a tutela de meu tio, irmão de minha mãe e a Maria foi junto.Eu e meu pai, fomos morar na casa de minha prima recém casada.Ela cuidava de mim, enquanto ele navegava pela Bacia Amazônica.Este período durou menos de um ano,os homens não ficam sozinhos...ainda mais jovens e com uma criança para cuidar. Assim, em pouco tempo meu pai casou-se de novo.A relação que existe entre enteados, madrastas ou padrastos, é muito conflituosa. Ciúmes, inveja, raiva e competição são sentimentos comuns e as pessoas precisam ser muito especiais para superarem isto. Comigo não foi diferente, eu despertei muito ciúme e disputa , e, embora sendo uma criança tão pequena, 6 anos e pouco, não despertei nenhum carinho. Por temperamento, minha madrasta nunca foi muito carinhosa nem com os filhos que teve com meu pai. Teria sido fácil me conquistar, eu suponho, afinal eu devia estar muito carente. Mas, infelizmente ela não quis este tipo de relação, optou por me ignorar.E eu fui crescendo meio que por minha conta: fritava ovos quando tinha fome, tomava banho sozinha,e dentro de casa era absolutamente solitária, meu quarto era meu mundo e eu passava a maior parte do dia lá dentro, isto é, quando não encerava a casa (com escovão)ou ia para a cozinha, pois meu pai achava que as mulheres deviam aprender estas 'artes'. Talvez tenha sido por isto, que sempre amei os livros, lia tudo que me caía as mãos...assim ,acredito, aprendi a pensar e a sonhar com a liberdade. As tolices infantis que cometia, eram contadas com cores fortes a meu pai, que sempre me punia com castigos. Até hoje odeio injustiças. Evidente que isto me marcou profundamente e alterou minha percepção do mundo. Rejeição ,foi sempre o meu buraco negro, a ferida que nunca sarou...Crianças entendem abandono como rejeição e para mim era como se minha mãe pudesse ter escolhido morrer...ou ficar comigo.
Assinar:
Comentários (Atom)
os netos
Catedral de Belém
Seguidores
Eu e Beka