14 de set. de 2011
parte 10- Desfazendo Equívocos
Com a maturidade, o distanciamento (geográfico e emocional)começamos a enxergar melhor os fatos e as atitudes. E, eu começo a querer e pretendo isso, repor as verdades. Sinto que há, e por incrível que pareça, se acentuou com o tempo, as criticas veladas dos filhos (no meu caso, é mais do mais velho) à minha separação e consequente divórcio do pai dele, mas, não duvido que os outros dois, tenham algumas dúvidas. Então por mais que doa, vamos lá. Tentarei ser o máximo possível discreta e gentil com o passado.E justa, que é da maior importância. Quando estive agora recentemente em Belém, a mãe de meu ex, resolveu falar um pouco do passado, e confidenciou-me que o filho jamais entendeu ou aprovou a sua atitude de me apoiar quando de nossa separação (assunto velho, mais de 40 anos). Acontece , que ela, é uma mulher que jamais gostou de julgar as pessoas, já era uma mulher madura quando nos casamos e ao longo dos 9 anos, deve ter percebido que eu precisava de alguém com outro perfil,e , que aquele relacionamento não duraria muito. Com meu temperamento nada dócil eu não ia aceitar as traições. Ele por sua vez,como era jovem , resolveu cair na farra e nos braços da mulherada e na gravidez de meu terceiro filho, eu com um barrigão enorme em casa e ele sambando no carnaval...rsrsr! mas, isto nunca foi o principal, o insuportável era a indiferença que se estabelece entre alguns casais depois de algum tempo, e , nosso casamento estava assim...e tem gente que por comodismo social ou financeiro fica.Mas não eu. Meu filho mais velho não aceitou nunca isto, pois o meu ex fez o que todo marido rejeitado faz...o papel de vítima. Quando ele viu que a separação que eu pedi, era para valer, tentou voltar atrás, mas, era tarde demais...então, para não entrar em detalhes "sórdidos" é melhor parar por aqui. Não falar das dificuldades financeiras que passei, dos calotes que ele me deu, e do péssimo pai que foi a partir da separação. Porque , como muitos homens, ele usou ,muito tempo a tática do "poder economico", mas eu resisti. E hoje,o meu poder economico, por mérito meu (sem falsa modéstia) é melhor que o dele.
11 de set. de 2011
Parte 9- Ainda a Adolescencia...
Pensando bem, tenho de ter cuidados ao escrever aqui. Por que senão vou me sentir uma miserável, é difícil relembrar um período da sua vida que não foi feliz, e ,é mais difícil ainda falar dele sem parecer uma pobrezinha, coitadinha. Ainda bem que ao contrário do Chico Xavier (em sua biografia, está escrito) ninguém mandou-me lamber feridas...desculpem a descrição escatológica. Mas que implicavam comigo, isto é verdade. Eu tinha compridos cabelos louros e bonitos,que minha madrasta não me ajudava a desembaraçar e naquela altura, perguntem às suas mães, não havia condicionadores, então doia muito. Meu pai que passava de um mês a um mês e meio viajando, quando estava em Belém, tentava me ajudar e dizia"mulher para ser bonita , tem que sofrer" referindo-se aos sacrifícios que as mulheres fazem! mas minha falta de sorte não terminava aí, na escola, também as professoras implicavam com meu cabelão comprido e nestes momentos , faça-se justiça, meu pai brigava com as professoras pois era ele que achava lindo meus cabelos...enfim nada de tão grave, mas, que as crianças não esquecem!
O certo é que tive uma infância e uma adolescência difícil e solitária que só era mais divertida um pouco quando ia para a casa de minhas primas, mesmo assim, como todo adolescente, eu sofria de um tédio enorme, meu irmão Roberto tinha um fusquinha (muito chic na época)e nos levava para passear no aeroporto de Val de Cãs para tomar sorvete Chica Bon , iguaria que só vendia lá! era uma festa. E mais o namoro com o Francisco José , acho que eram os únicos momentos mágicos que eu vivia...
O certo é que tive uma infância e uma adolescência difícil e solitária que só era mais divertida um pouco quando ia para a casa de minhas primas, mesmo assim, como todo adolescente, eu sofria de um tédio enorme, meu irmão Roberto tinha um fusquinha (muito chic na época)e nos levava para passear no aeroporto de Val de Cãs para tomar sorvete Chica Bon , iguaria que só vendia lá! era uma festa. E mais o namoro com o Francisco José , acho que eram os únicos momentos mágicos que eu vivia...
7 de set. de 2011
Parte 8- Ainda o Casamento
Me desculpem meus filhos, mas tudo de bom que restou do meu casamento foram vocês...mais nada. Foi tão sem graça, que nem guardei as lembranças. Não me lembro se ele roncava, se gostava de sorvete...só lembro de coisas desagradáveis e sendo assim em respeito a mãe dele, uma mulher admirável e que me acolheu sempre, acho desnecessário contar seus defeitos. Não tenho escrito muito aqui, pois estou em plena luta no Facebook contra os políticos corruptos do Pará que querem dividir o estado para terem mais feudos.Como acredito em reencarnação, acho que meu filho mais velho, o André , é um espírito mais das bandas do pai ,que das minhas bandas, sempre o preferiu. Quando era bebezinho se jogava dos meus braços para o do pai, e , ainda hoje temos uma convivência conflituosa, estamos quase sempre em qualquer conversa, de lados opostos.Ainda bem que ele se casou com uma moça do bem, e que é com quem gosto de conversar...aliás a outra nora reconhece-lhe o mérito, ou a paciência comigo(rs) e nem tenta disputar o lugar de preferida, escrevo isto, porque a própria Roberta é quem fala, né Beta? aliás os filhos merecem um capítulo a parte e talvez o faça. O fato, é que nunca mais, depois da nossa separação me arrependi, muito pelo contrário,o tempo e as atitudes dele só fizeram reforçar que foi a coisa mais acertada para nós. A juventude nos prega peças, os hormonios como disse em alguma postagem atrás, são os responsáveis por muita bobagem que fazemos. Se reunir um bando de ex-casados muitos vão concordar comigo. Homens e mulheres. A vida é fantástica, quanto mais se vive e se amadurece, mais ela vai nos assombrando como tudo se encaixa,nos deixando perplexos e curiosos de como teria sido nossas vidas se.. e se??? é como um quebra cabeças, mas, dependendo de você querer fazer do limão uma limonada, no final tudo pode dar certo como diz o título de um dos filmes de Woody Allen mais recentes. Volto bem mais rápido do que da última vez, combinado?
28 de jul. de 2011
Parte 7- Isquêmica
Isquemia parece com anemia, não? pois é, desde que tive um infarto do miocárdio em 2001, fiquei com uma isquemia que nunca antes me deu problema. Agora,começou a dar...senti umas coisas estranhas no peito e os exames disseram: a isquemia está fazendo com que o coração não contraia bem, isto gera cansaço fácil. Não é morbidez, mas um ser tão temperamental quanto eu só posso mesmo é ter o coração danificado...não é com ele que se sente as emoções, dizem os poetas? e o meu coitadinho é bem vivido...rs..mas, nada como rir da própria sorte, afinal nada podemos fazer em relação a vida e a morte. Então é goza-la enquanto podemos ter uma qualidade de vida para viajar, sair, estar com os amigos. Viver.
Mudando de assunto e voltando de certo modo a ser cronológica em relação as minhas memórias.O casamento que eu tentei durante 9 anos transformar em uma coisa prazeirosa, porque ninguém quer que sua vida afetiva vá para o buraco, e naquela altura as conversas entre marido x mulher não se chamava "discutir a relação" era só discutir mesmo. Nunca deram em nada, aliás na parte final destes 9 anos, meu ex tinha uma amante que me ligava constantemente e não falava nada...aquele joguinho que só as mulheres sabem fazer e que eu só vim a descobrir depois que separamos...aí não importava mais.Depois do vestibular e do ingresso na Universidade, o mundo virou um mar de rosas, afinal , ser jornalista foi a coisa que eu mais sonhei na vida. Modestamente, inteligência e talento nunca me faltaram e eu ainda no inicio do curso entrei no jornal impresso do Lopo de Castro, o Estado do Pará. Lembro bem que uma das primeiras matérias que fui fazer era muito importante e lá fui eu de helicóptero para Barcarena cobrir a inauguração (a memória falha) da Albrás / Alunorte...que orgulho e emoção, quem me ajudou a escrever a matéria foi o Maklouff, um repórter que hoje mora em SP. Minha intenção não é falar da profissão, senão escreveria outro blog, tantas são as estórias. O que pretendo é deixar o registro de mim em alguns textos para meus filhos e netos...
Mudando de assunto e voltando de certo modo a ser cronológica em relação as minhas memórias.O casamento que eu tentei durante 9 anos transformar em uma coisa prazeirosa, porque ninguém quer que sua vida afetiva vá para o buraco, e naquela altura as conversas entre marido x mulher não se chamava "discutir a relação" era só discutir mesmo. Nunca deram em nada, aliás na parte final destes 9 anos, meu ex tinha uma amante que me ligava constantemente e não falava nada...aquele joguinho que só as mulheres sabem fazer e que eu só vim a descobrir depois que separamos...aí não importava mais.Depois do vestibular e do ingresso na Universidade, o mundo virou um mar de rosas, afinal , ser jornalista foi a coisa que eu mais sonhei na vida. Modestamente, inteligência e talento nunca me faltaram e eu ainda no inicio do curso entrei no jornal impresso do Lopo de Castro, o Estado do Pará. Lembro bem que uma das primeiras matérias que fui fazer era muito importante e lá fui eu de helicóptero para Barcarena cobrir a inauguração (a memória falha) da Albrás / Alunorte...que orgulho e emoção, quem me ajudou a escrever a matéria foi o Maklouff, um repórter que hoje mora em SP. Minha intenção não é falar da profissão, senão escreveria outro blog, tantas são as estórias. O que pretendo é deixar o registro de mim em alguns textos para meus filhos e netos...
16 de jul. de 2011
PARTE 6- e a vida segue
Fazia muitos dias que eu não escrevia aqui.Hoje depois de voltar de uma feijoada com amigos onde ri muito e me diverti, posso encarar de novo a dor.Tenho sentido umas coisas estranhas no meu coração meio morto (pelo enfarto)mas, não sou de muito me impressionar com estas coisas, creio que quando morrermos vamos ser mais felizes e vamos re-encontrar pessoas amadas que se foram antes, nem por isto quero morrer imediatamente, mas na hora que for hora tudo bem. Vou poder pensar que vivi tudo, emoções boas e más. Mas, me atirei nelas de cabeça,e, recorro a poesia de novo:ando devagar porque já tive pressa. Durante 9 anos fiquei casada e dona de casa, insatisfeita com a situação, mas sem perspectivas. Tive 3 filhos do mesmo pai, adoráveis sadios e bonitos.Não os trocaria por nada e não troquei nunca, um dos motivos de minha separação foi exatamente pelo pai deles não ser um pai legal.Temperamento eu acho, afetuosidade nunca foi o forte "dele". Muito menos comigo que sempre tive um temperamento forte e opiniões próprias, brigávamos sempre ,discutíamos sempre. Claro que a responsabilidade foi minha também, na verdade (inconscientemente) casei para sair de casa.Não nasci para uma vida comum, como sobrevivente que fui, enchi-me de armas e queria ir à guerra, queria o mundo, queria tudo o que pudesse alcançar com meu próprio esforço ou não seria vitoriosa. Para me desarmar era necessário muita doçura, coisa que meu ex-marido não tinha para dar e sendo assim ,não se pode pedir. Fiz algumas tentativas de trabalhar fora e não tinha vontade de estudar. Mas a liberdade de alguém começa pelo sustento e a minha também. Voltei a estudar já com os 3 filhos paridos e por criar. E renasci com o ingresso na faculdade, acho que até hoje não senti sensação maior de alegria do que ver minha aprovação para a graduação no curso, que desde os 12 anos sonhava em fazer: Jornalismo.
6 de jul. de 2011
4 de jul. de 2011
Sobre meu Pai e minha Mãe- 5
Sou uma sobrevivente em todos os sentidos, lutei para ficar viva enquanto minha irmã gemea se ia ao nascer e lutei para ficar lúcida enquanto a minha mãe se ia também, cinco anos depois. É , vocês não tem noção do que é uma criança pequena, sem mãe.Aliás, eu só tive esta noção recentemente ao acompanhar o crescimento de meu neto Cauã,os filhotes de animais são menos dependentes da atenção materna que nós, os humanos.Junto com minha mãe, foram-se os meus irmãos Ronaldo e Roberto e minha querida Maria Preta, que cuidava de mim junto com ela, ou seja, todo o meu universo infantil. Como meu pai era marítimo, meus irmãos ficaram sob a tutela de meu tio, irmão de minha mãe e a Maria foi junto.Eu e meu pai, fomos morar na casa de minha prima recém casada.Ela cuidava de mim, enquanto ele navegava pela Bacia Amazônica.Este período durou menos de um ano,os homens não ficam sozinhos...ainda mais jovens e com uma criança para cuidar. Assim, em pouco tempo meu pai casou-se de novo.A relação que existe entre enteados, madrastas ou padrastos, é muito conflituosa. Ciúmes, inveja, raiva e competição são sentimentos comuns e as pessoas precisam ser muito especiais para superarem isto. Comigo não foi diferente, eu despertei muito ciúme e disputa , e, embora sendo uma criança tão pequena, 6 anos e pouco, não despertei nenhum carinho. Por temperamento, minha madrasta nunca foi muito carinhosa nem com os filhos que teve com meu pai. Teria sido fácil me conquistar, eu suponho, afinal eu devia estar muito carente. Mas, infelizmente ela não quis este tipo de relação, optou por me ignorar.E eu fui crescendo meio que por minha conta: fritava ovos quando tinha fome, tomava banho sozinha,e dentro de casa era absolutamente solitária, meu quarto era meu mundo e eu passava a maior parte do dia lá dentro, isto é, quando não encerava a casa (com escovão)ou ia para a cozinha, pois meu pai achava que as mulheres deviam aprender estas 'artes'. Talvez tenha sido por isto, que sempre amei os livros, lia tudo que me caía as mãos...assim ,acredito, aprendi a pensar e a sonhar com a liberdade. As tolices infantis que cometia, eram contadas com cores fortes a meu pai, que sempre me punia com castigos. Até hoje odeio injustiças. Evidente que isto me marcou profundamente e alterou minha percepção do mundo. Rejeição ,foi sempre o meu buraco negro, a ferida que nunca sarou...Crianças entendem abandono como rejeição e para mim era como se minha mãe pudesse ter escolhido morrer...ou ficar comigo.
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